Eu (não) sou um vendedor

Na minha actividade profissional exerço uma função parcialmente comercial. Na verdade nunca me senti muito à vontade com esse tipo de funções, mas foi-me proposto na entrevista e eu lá decidi experimentar.

Os meus maiores obstáculos eram a timidez inicial (tão particular em adolescentes e jovens teenagers imberbes de 30 anos como eu), e também o facto de ter de falar com gente que eu nunca vi na vida, para apresentar algo que eu mal conhecia. Tal como 80% das pessoas no mundo, também eu nunca vi um comercial, ou vendedor, com muito bons olhos. E, já agora, os 20% da população que vê os comerciais com bons olhos são os próprios profissionais comerciais.

Admitamos: Toda a gente olha para o comercial como aquela pessoa que tenta manipular outras através de esquemas, palavras, acções e emoções e levá-los a adquirir o seu produto, por pior que este seja. Ambicioso e ganancioso que só pensa em comissões de venda e em tentar enganar o máximo de pessoas possível para encher os bolsos de notas. E eu estaria a mentir se dissesse que esse “animal social” não existe. Mas paremos de falar dos apresentadores da TV Shop.

Existem maus profissionais em todos os cargos. E não precisamos de ir muito longe para verificar esse facto. Basta uma saltada a São Bento, por exemplo (ui! Esta doeu!).

A minha opinião sobre a profissão do comercial é diferente agora. Muito. E se, no passado, alguém me dissesse que eu iria vir a exercer uma função comercial e que iria gostar, a minha reacção seria mandar internar essa pessoa por ter dito tamanha barbaridade. Mas gosto, de facto. Porquê? Porque me permite:

  • Enquanto profissional, conhecer o meu produto como ninguém.
  • Comparar o meu produto com a concorrência e melhorá-lo constantemente
  • Conhecer pessoas novas e promover a minha capacidade de diálogo e, mais importante ainda, a minha capacidade de ouvinte,
  • Melhorar a minha (parca) capacidade de raciocínio para poder responder bem e rapidamente às questões que me são colocadas,
  • Ultrapassar o obstáculo da timidez (mesmo a nível pessoal), já que faz parte da profissão falar com desconhecidos todos os dias,
  • Ser cada vez mais confiante das minhas capacidades (nunca arrogante) a cada dificuldade ultrapassada, ou a cada conquista difícil que se obtém,
  • Conhecer técnicas de psicologia bastante interessantes que, muito provavelmente, não conheceria e que me permitem expressar e interpretar formas de expressão verbal ou corporal por parte de terceiros que, de outra forma, me passariam completamente despercebidas,
  • Melhorar a minha postura e moderar o meu temperamento (e bem que apetece, às vezes, mandar algumas pessoas para dentro de um qualquer vulcão Islandês cujo nome é impossível de pronunciar), de forma a ser socialmente mais agradável,

E podia continuar a enunciar mais vantagens, mas já fica uma ideia. Afinal de contas não é assim tão mau e não é uma função estática. Está em constante evolução, estamos em constante aprendizagem e cada conversa é um novo desafio. Monotonia é coisa que não existe.

Mas porque raios decidi eu falar sobre isto? O que é que esta conversa interessa? Se alguém quisesse ler sobre vendedores e comerciais de certeza que não seria aqui que viria, não? Certo. Concordo!

E é aqui mesmo que lanço o desafio! Até pode não ser algo que tenhamos alguma vez pensado mas todos (TODOS) nós somos vendedores. O nosso principal produto somos nós próprios (e seria tão fácil introduzir aqui uma piada sobre prostituição…). Em diferentes situações na vida precisamos de nos “comercializar”: um casting, uma entrevista de emprego, uma festa social, uma palestra, uma reunião…a lista é enorme. Então, o desafio é mesmo esse: por mais estranho que possa parecer todos nós deveríamos ler artigos, livros, blogs ou experiências sobre comerciais e vendedores. Há muito para aprender e muito para utilizar no nosso dia-a-dia, adaptando às necessidades de cada um.

Voltarei a este tema, noutra altura, porque acho que é realmente pertinente. Tudo o que aprendo, a nível profissional mas não só, tento adaptá-lo à minha vida pessoal. Pelo menos tento. Com maior ou menor sucesso.

Agora deixa cá endireitar as costas, melhorar a postura e estudar o discurso para ir ali ter com a miúda que está a dançar perto do bar. Tenho a melhor solução, para a sua solidão e para a sua vida em geral para lhe apresentar, com as melhores condições do mercado: a minha pessoa!


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